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Entre o corpo-algorítmico e corpo-permeável: temporalidade espiralar e escapes emergentes

  • Foto do escritor: Monique Prado
    Monique Prado
  • 19 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Continuando a conversa em torno de corpo e linguagem uma elaboração recente que tenho realizado tem a ver com duas categorias estético-políticas que ainda estão sendo desenvolvidas. Elas nascem a partir da  Interação entre corporeidade e redes sociais, admitindo que as novas linguagens e os formatos das plataformas tem criado novas identidades que permeiam as nossas subjetividades.


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As duas categorias tem relação direta com o meu campo de pesquisa sobre as afetividades que aqui demarco como corpo-algoritmo e corpo-permeável. A questão que busca investigar nas duas categorias está justamente no interesse de perceber se elas se sobrepõe ou se elas são plenamente aplicáveis no nosso cotidiano de forma concomitante.


A indagação surgiu por ter observado como o meu corpo responde e reage no âmbito químico, físico, psíquico e emocional. Ora gerando excitação extrema, ora uma completa baixa 

Concatenei algumas dessas principais atividades que geram interações na ordem digital que estão mais difundidas no nosso imaginário quando pensamos em redes sociais como por exemplo: curtir, compartilhar, salvar, inscrever, comentar, buscar, ativar. Fiquei me perguntando se essas interações de fato permeia uma identidade no plano do real no sentido de que esse corpo físico também Sentiria essas interações, Ou se ela se bastam ao campo sintético e digital.


A pergunta não é nova embora genuína estaríamos nós criando uma metaidentidade fictícia ou uma subjetividade desmembrável?


Ao pensar que esse corpo é recriado numa dinâmica digital, passamos a observar o quanto estamos não só hiperconectados, como em simbiose, fundindo por muito pouco as identidade-corpo e a identidade-algoritimica que atende uma cadeia capitalista vigente. Isto é, o contexto de hoje é bem diferente de 20 anos atrás, visto que o digital extrapola as redes sociais e passa a adentrar outros campos como o financeiro com os bancos digitais; os streamings; o noticiário; os apps de mensagens que agora ganharam características de e-mails; o controle do nosso treino e nossa vida esportiva; a relação de consumo desde a a comida que a gente pede até o que a gente veste; a compra do mês; os apps de transportes e caronas. Essas são facilidades sombrias que senão olhadas com cuidados afrouxam as relações de trabalhos e uberizam as relações de consumo; ou até diminuem a potência emocional do corpo-permeável, pois os códigos são confusos e muitas vezes difusos. 


 Isso para não falar dos efeitos ainda não completamente possíveis de mapear com as incursão das inteligências artificiais no nosso cotidiano que criam imagens, textualidade e respostas, replicando a inteligência humana. Por ironia ou não acredito que isso demonstra uma fraqueza na própria forma instrumental e programada que a humanidade ocidental instituiu a produção epistemológica, apenas em seu caráter escrito e documental.


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Nesse sentido, quando reivindicamos um corpo-permeável que escapa esse formato, nos alegramos aos dizer que não há inteligência artificial que consiga replicar a malandragem criada pela oralidade e os movimentos que dizem pelo corpo sem precisar reproduzir uma palavra. Essa é uma gramática própria, pois por não ter sido capturada, justamente por ser subestimada secularmente, sobretudo, na era iluminista e positivista, o desvio grafa o corpo-permeável numa história circular que como disse Leda Maria Martins, dá piruetas no tempo.

©2025 por Monique Rodrigues do Prado

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